Terça-feira, 16 de Janeiro de 2007

A Trilogia Negra no século XIV

No inicio do século XIV, a Europa foi assolada por intensas chuvas (1315 a 1317) que arrasaram os campos e as colheitas. Como consequência, a fome voltou a perturbar os camponeses, favorecendo o alastramento de epidemias e trazendo a mortalidade da população. "Nos campos ingleses, ele passou de 40 mortos por cada mil habitantes, para 100 por mil. Na cidade belga de Ypres, uma das mais importantes da Europa, pelo menos 10% da população morreu no curto espaço de seis meses em 1316".

A peste negra amedrontou a Europa e abalou a economia. Cidades ricas foram destruídas e abandonadas pelos seus habitantes desesperados à procura de um lugar com ar puro e sem pessoas infectadas. Os servos morriam e as plantações ficavam destruídas por falta de cuidados. Por esta causa os Senhores Feudais começaram a receber menos tributos diminuindo seus rendimentos. Os senhores feudais viram seus rendimentos declinarem devido à falta de trabalhadores e ao despovoamento dos campos. Procuraram então, de todas as maneiras, superar as dificuldades. Por um lado, reforçaram a exploração sobre os camponeses, aumentando as corvéias e demais impostos, para suprir as necessidades de ostentação e consumo, dando origem à "segunda servidão".

Por outro, principalmente nas regiões mais urbanizadas, os nobres passaram a arrendar suas terras, substituindo a corveia por pagamento em dinheiro e dando maior autonomia aos camponeses, alterando bastante as relações de produção. "Depois da acima dita pestilência, muitos edifícios, grandes e pequenos, caíram em ruínas nas cidades, vilas e aldeias, por falta de habitantes, de maneira que muitas aldeias e lugarejos se tornaram desertos, sem uma casa ter sido abandonada neles, mas tendo morrido todos os que ai viviam; e é provável que muitas dessas aldeias nunca mais fossem habitadas".

A mortalidade trazida pelas chuvas, fome e peste negra foi ainda ampliada pela longa guerra entre os reis de Inglaterra e França, que entre combates e tréguas, durou mais de um século (1337/1453): a Guerra dos Cem Anos.
A Guerra dos Cem Anos surgiu porque o rei de França, Felipe IV, anexou à região de Bordéus domínio feudal do rei da Inglaterra, de onde provinha grande parte dos vinhos que os ingleses bebiam. Deveu-se também às ambições da França e da Inglaterra em dominarem a região de Flandres, rica por seu comércio e produção de tecidos.
Entre batalhas vendidas ora por ingleses ora por franceses e períodos de trégua, a guerra aumentou as dificuldades da nobreza e agravou a situação de miséria dos servos.

O recrudescimento da exploração feudal sobre os servos contribuiu para as revoltas camponesas que grassaram na Europa do século XIV, nas quais milhares deles foram mortos. Elas consistiam em súbitas explosões de resistência feroz; duravam pouco e, em regra, estavam mal organizadas. Logo que os lideres morriam ou eram feitos prisioneiros, a resistência apagava-se novamente com a mesma rapidez com que tinha começado a arder. ”
Pro fim, um factor fundamental para a quebra das estruturas do sistema feudal foi a longa série de rebeliões dos servos contra os senhores feudais. Ainda que momentaneamente derrotados, os levantes dos servos foram tornando inviável a manutenção das relações de servidão. A partir do século XIV, com mais rapidez em algumas regiões e menor em outras, as obrigações feudais foram se extinguindo.

A conjuntura de epidemias, de aumento brutal da mortalidade e de super exploração camponesa que caracterizou a Europa do século XIV trazendo crise, foi sendo superada no decorrer do século XV, que viu a retomada do crescimento populacional, agrícola e comercial. No campo, os senhores feudais, substituindo as corvéias por salários, rompiam com o sistema senhorial de produção. Nas cidades, o revigoramento do mercado era favorecido pela ascensão dos preços das manufaturas.
Finalmente vencida pelos franceses, a Guerra dos Cem Anos fez emergir o sentimento nacional na França e na Inglaterra, favorecendo, um nos dois países, a consolidação territorial e a retomada do poder político pelos reis. Os monarcas contaram com as dificuldades da nobreza e com o apoio econômico da burguesia para recuperar e fortalecer sua autoridade.

publicado por esfahistoriadores às 22:27
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9 comentários:
De Rafael Nunes a 17 de Janeiro de 2007 às 19:18
já li o post está muito interessante ...
Obrigado.


De Carolina Albuquerque a 17 de Janeiro de 2007 às 22:00
Partilho a opinião do Nunes!
Penso que as respostas já dadas às perguntas do blog vêm completar o propósito deste texto/resumo, o que nos facilitará, e muito, o estudo de cada um de nós.
Sendo assim, resta-me, igualmente, agradecer, já que não é qualquer professor que se dá ao trabalho de construir um blog, de modo a que os seus alunos obtenham melhores resultados.
Obrigada!


De Fausto Correia a 17 de Janeiro de 2007 às 23:56
boa noite! partilho igualmente da opinião da minha primita Carolina e do Nunes para dizer que só um professor muito dedicado e empenhado é que oferece "presentes" deste tipo e deste significado aos seus alunos. por isso congratulo-o e agradeço publicamente, através deste magnífico blog, pelo seu excelente trabalho de longos 4 anos que ficarão para a "História" . Muito obrigado!
Fausto Correia


De Anónimo a 18 de Janeiro de 2007 às 19:45
lol...fausto...onde foste buscar...esse vucabulerio!
ha ja sei tas a aproveitar os saldos ,sei la num sapateiro lol,melhor dizendo na GRAXA...LOL...deve tar mesmo barata.....em fim....lol....Ricardo!!!!!


De anonimo a 21 de Janeiro de 2007 às 16:04
o fausto é que é esperto...........hà que dar graxa.......cada um tem de fazer aquilo que melhor sabe............nao gozes com ele ricardo.....................coitadinho......jititos para todos


De nadia aurora a 21 de Janeiro de 2007 às 15:59
também acho que que está muito interessante..........jinhos


De ana a 21 de Janeiro de 2007 às 20:14
tal como outros colegas já disseram, este post está muito interessante e facilita-nos o estudo do tema que está a ser tratado. obrigado!


De melanie a 31 de Janeiro de 2007 às 21:23
pois..eu também acho..agora toca a estudar.ehehehe..bjnhx


De anónimo a 6 de Fevereiro de 2007 às 13:16
Continuas na mesma Fausto!!! Graxista como sempre!!!!!!!!!! obrigado doutor é um amigalhaço!!!! :-)


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